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30 dias

4 Jun

Por que razão se cria e mantém um blog? Que acrescenta de específico e relevante?
Que roubamos à realidade para o alimentar?

O blog exprime a necessidade de comunicar como prova de existência. E comunicar neste formato obriga a sintetizar a informação que nos esmaga e de cujo crescimento a blogosfera é, por sua vez, dínamo. É a definição de “sound bite” – o mínimo de ruído para um máximo de sentido mas que, sem lograr lá chegar, se encontra já pressionado por um formato ainda mais breve, o Twitter, onde o “existo” esgota o discurso e se recontam os seguidores. Falamos de algo que interesse ou produzimos mais lixo, mais depressa?

Neste blog olhado como pequenino jornal, escolhi, mesmo nunca tendo censurado nenhum comentário, fazer a sua “mediação” em lugar de permitir a publicação livre e instantânea, num duvidoso ainda que legítimo exercício de critério editorial em detrimento da liberdade de expressão. Fui justamente chamado à atenção para esse facto. Escrevi por ideias em que acredito, mas fiz também uso da prerrogativa quase intocável de falar de visados ausentes, assim como da de comentar os comentários.

Um blog é uma manifestação solitária e é, de certa forma, uma desistência ou um reconhecimento da impossibilidade de fazer a mesma coisa por outros meios. É um exercício de generosidade, mas também de influência e vaidade, aferidas pelo número de visitas, links e citações de que é alvo. Um local onde se escreve porque um público indefinido e invísivel está lá, à espera, e isso cria um ritmo, um “tem de ser” em conflito com a substância e o tempo.

Não sei se gosto deste blog e do que fazemos um ao outro, mas chegou a altura de pensar nisso.

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Atenção ao resto

5 Maio

Um zero à esquerda não acrescenta nada. É apenas isso. Um número deslocado, fora de contexto. Se causar estranheza vale a pena colocá-lo porque foca a atenção no resto. Veremos se faz sentido.