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Portugal no mapa por boas razões

27 Out

internet

Portugal tem uma velocidade média de acesso que nos coloca entre os melhores do mundo, à frente de países como os EUA, o Canadá e a Alemanha. Tem ainda uma taxa de penetração média-baixa e um dos preços médios mais elevados.

É um bom sinal a nossa posição neste ranking e só surpreende quem nunca tiver reparado que na mesma área das tecnologias, a nossa rede multibanco, ou o sistema de registo e pagamento nas autoestradas, estiveram sempre um pouco à frente de praticamente toda a Europa.

Um contributo para a correcção da taxa de penetração, seria a descida dos preços para níveis mais aceitáveis e o investimento em zonas wi-fi nos espaços públicos geridos pelas autarquias, com um custo baixíssimo e um enorme retorno.

Tecnologia grátis, mesmo Grátis?

15 Jun

No grau em que as coisas estão, a internet é um dos raros espaços democráticos e relativamente livres da comunicação. Contém informação, diversidade de opinião e uma quantidade de lixo inesgotáveis. Está lá “tudo”, com tudo o que isso implica.
O Gmail convida-nos a nada deitar fora, oferecendo cada vez mais espaço de armazenamento (actualmente 2,7 Gb) algo que requer um número exponencial de servidores com espaço em disco e custa muito dinheiro, sem nos pedir nada em troca.
Para distribuir o mal pelas aldeias, a Apple (a minha aldeia) com o conceito Mobile Me e o próprio desenho do Airbook, convida o utilizador a usar os servidores da empresa em detrimento do disco rígido, pondo os ficheiros pessoais à nossa disposição mesmo quando o nosso computador não o está.
O Google dará em breve, na Web 3, uma súmula das respostas a uma busca, e esta súmula surgirá à cabeça dos cinco milhões de respostas que nunca temos tempo ou paciência para consultar, o que parece uma boa idéia com um “pequeno inconveniente”: para os que apenas conhecem as delícias da net como forma de pesquisa e olham a wikipédia como a enciclopédia da humanidade, esta súmula será não uma resposta mas a resposta.
Por analogia com o valor da expressão “deu na televisão”, que toma como relevante e confiável aquilo que é veiculado pelos media, “estar na net” passou a ser critério de verdade e, mesmo sendo as suas fontes dificilmente verificáveis, a net tenderá a tornar-se o fornecedor de informação dos restantes media.
Escolhemos “servir a este Deus”, o deus tecnológico gratuíto, e dedicamos-lhe tanto mais aquiescência irracional, quanto menos tivermos crescido numa sociedade em que fomos obrigados a desconfiar da informação ou, pelo menos, a pensá-la.
O que precisamos de saber sobre tecnologia já não é como usá-la – qualquer criança o sabe sem ir à escola, mas de olhar para a maneira como a tecnologia nos usa. Isto é, precisamos mais de ensinar crianças e adultos a fazer perguntas sobre ela do que a receber as respostas que ela lhes dá.

Bizarro

13 Jun

Todos os dias ao abrir a caixa de correio electrónico o que fazemos é, antes do mais, uma espécie de processo de actualização das nossas relações sociais. No escasso tempo que destinamos à troca real de algo, esta tornou-se uma forma de rever amigos e conhecidos e saber deles. Mas um pouco como um pedra que lançada na superfície da água salta um certo número de vezes mas não pode manter-se a flutuar. E este universo de onde se entra e sai, onde se está quando se quer e se existe porque se está lá, vai sendo experimentado como mais real do que a vida e contribuindo para criar de facto uma nova realidade, um matrix do nosso tempo, uma realidade desdobrada em cenários múltiplos.

Todos procuramos uma narrativa e a net fornece inúmeras como forma de encaixar o presente. Mas, se abdicarmos de um certo grau de autoconsciência crítica, numa relação mais directa e autêntica connosco, e nos ficarmos por este distanciamento cínico, representamos os personagens adequados a cada cenário em que nos encontramos (no mail, no facebook, no twitter, etc) mas a consistência das nossas vidas vai sendo reduzida, até um dia o nosso endereço mais permanente ser o correio electrónico e o computador a nossa casa.

Visões do Futuro

8 Maio