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Consumo de tinta e muito mais

10 Nov

Matt Robinson e Tom Wrigglesworth, dois estudantes graduados por Kingston, venceram o prémio “Best New Blood” com um vídeo para a HP. Realizaram ainda um curioso teste de escrita de fontes para determinar as mais efectivas em termos de consumo de tinta.

O gráfico, que aqui se reproduz com a autorização dos autores, além de extraordinariamente original, revela algumas conclusões inesperadas.

Os sites de Matt e Tom, expõem em detalhe o processo e mostram outros trabalhos criativos e poéticos, como o Kiteography de Tom Wrigglesworth.

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Pinóquio arranja amiguinha

17 Ago

Silly Season é um raio de um nome bem escolhido para a época… Depois de ver esta entrevista, passei a achar que Medina Carreira é um optimista.

Carolina Patrocínio, começa por explicar a sua estratégia para se “afastar das figuras públicas de Portugal” sobre um pano de fundo de nús envergonhados a fazer lembrar a decoração da cabine de um camião de longo curso. A mandatária do PS para os jovens diz ter “uma relação com o anjinho da guarda” de que não se pode duvidar e descobriu que “não gostava nada de ser homem. Os homens não têm nada coisas giras pra fazer”. Que falta de imaginação, rapariga. Vamos ao futebol, andamos aos murros uns aos outros e coleccionamos posters teus.

Sonha ser pedida em casamento de forma espectacular. “Jantamos, depois no fim, ele tem de se levantar, fazer o discurso e pedir a minha mão ao meu pai” e prossegue dizendo dela própria ser “de bom nascimento”. Como que para o provar, vai dizendo que “Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços. (…) e uvas sem graínhas… é uma trabalheira…” e que detesta “esperar pelas bagagens no aeroporto”. Tudo coisas de gente bem nascida. Já Luís XIV, aquele que não se conseguia vestir sózinho, tinha a frase “Eu quase que esperei”, referindo-se às carruagens que chegavam sempre a horas.

A menina, que não tem nada na cabeça, acaba em forma e embalada num sorriso, a dizer com toda a naturalidade “Sou muito competitiva. Odeio perder. Prefiro fazer batota do que perder”. Plenamente explicada a sintonia com Sócrates, resta-nos a dificuldade em vislumbrar onde se poderia arranjar melhor mandatária para os jovens.

Quando, a terminar a entrevista, lhe é perguntado: “O que é que te falta?”, responde solícita, “Viver!”.
Podes crer, filha.

Wait for Me

31 Maio

Histórias de 3 minutos. Ross Kauffman.

Miguel Portas defende voto aos 16 anos

26 Maio

“Se aos 16 anos um jovem tem idade para trabalhar, porque não há-de ter idade para votar?” in Público.

Embora legal, o trabalho aos 16 anos não é a regra. E não o é porque aos 16 anos, um jovem deve estar a estudar, a crescer e a disfrutar. A consciência social que é suposto adquirir e vir a traduzir-se numa opção política, forma-se na vivência do processo de autonomia de um jovem. Numa sociedade mais evoluída, não seria bem aceite a ideia desta idade mínima para trabalhar, nem a do abandono do sistema de ensino que a opção pelo trabalho normalmente acarreta.

Não é a primeira vez que vejo na boca da extrema-esquerda, argumentos de extrema-direita e o aqui usado não se limita a ser demagógico. É extremamente grave porque se encontra perigosamente perto dos argumentos que têm justificado a utilização de menores nas empresas. Dito de uma forma mais directa, parece uma frase de patrão do Vale do Ave, daqueles que não custa imaginar que pronunciem a mesma frase de trás para a frente.

E tu Miguel, não tens idade para ter juízo?

A estúpida economia

14 Maio

Estudos recentes, mostram que a maioria dos jovens encaram, no ocidente, o compromisso que consiste no casamento, na habitação própria ou na paternidade, não como um objectivo a alcançar, mas como um perigo a evitar.
Esta visão das coisas reflecte-se no facto de, actualmente, os filhos ficarem em (ou regressarem a) casa dos pais, após as licenciaturas ou se alguma experiência de emprego correr menos bem ou for, como quase sempre é, mal remunerada.
Se por um lado esta situação traduz um “modus vivendi” confortável entre pais e filhos que não era verificável apenas há uma geração atrás, por outro espelha as condições de incerteza da vida actual e é muito grave em termos futuros.
A taxa de natalidade é inferior à da renovação geracional, os jovens não têm qualquer cenário de estabilidade financeira a prazo e os pais vivem os anos mais interessantes das suas vidas a dar o suporte necessário às vidas dos filhos.
A questão não está tanto no papel dos pais na vida dos filhos. Está sobretudo na satisfação pessoal, no sentido da vida dos jovens e nas perspectivas a prazo que se lhes oferecem. Acabada uma licenciatura, e porque a inserção na vida profissional é praticamente impossível, segue-se um mestrado que equivale, após Bolonha, ao anterior grau académico da licenciatura mas com o ónus financeiro transferido do estado para as famílias. Ao mestrado, segue-se um doutoramento, e o facto de termos doutorados sem qualquer contacto com a vida profissional não parece preocupar ninguém. É o estado das coisas e aquilo que parece concentrar a nossa preocupação é manter os jovens ocupados ou, para usar a expressão corrente, “felizes”.
E olha-se à volta e fala-se e parece cada vez mais evidente que, mesmo num cenário relativamente tranquilo e até hedonista de classe média, as pessoas (não apenas os jovens) experimentam momentos de prazer de cada vez mais curta duração e fundamentalmente vazios de significado, traduzidos naquela sensação de nunca se estar bem onde se está, em ansiedade crescente, em alheamento, em desinteresse, em desilusão e falta de motivação e sobretudo de propósito.
É apenas uma espécie de “spleen” que paira sobre a sociedade e habituamo-nos a viver com ele, tristemente rendidos à falta de soluções ou perspectiva.
Isto não nos preocupa demasiado, mas devia. Há 10 anos, a solução de tudo estava na “economia, estúpidos”. Agora parece ser a estúpida economia e a sua lógica intrínsseca de precaridade e curto prazo, o problema. Entretanto, em todo o ocidente, o dinheiro dos contribuintes, desagua nas instituições que, usando a lógica vigente, foram alegremente conduzidas à falência. Alguém consegue imaginar o impacto que o mesmo dinheiro teria se injectado na economia real? Pior, alguém nos pode explicar porque vemos tanto dinheiro ser aplicado num sistema financeiro corrupto de alto a baixo, embora tão recentemente tenham sido pedidos grandes sacrifícios em nome do controlo orçamental que entretanto deixou de ser uma meta razoável?

Os nossos filhos

6 Maio

Os teus filhos não são os teus filhos.
São os filhos e as filhas do desejo da Vida por si própria.
Vêm através de ti mas não de ti,
E embora estejam contigo, não te pertencem.
Podes dar-lhes o teu amor, mas não os teus pensamentos,
Porque eles têm os seus próprios pensamentos.
Podes alojar-lhes os corpos mas não as almas,
Porque as almas deles vivem na casa do amanhã, que tu não podes visitar, nem sequer em sonhos.
Podes lutar por ser como eles, mas não tentes fazê-los ser como tu.
Porque a vida não anda para trás nem espera pelo passado
Tu és o arco a partir do qual são disparados os teus filhos como setas vivas.
O arqueiro vê o alvo no caminho do infinito, e arqueia-te com a Sua força para que a Sua flecha possa ir longe e veloz.
Deixa que o teu arquear às mãos do arqueiro seja de satisfação;
Porque assim como Ele ama a seta que voa, ama também o arco que é firme.

Kahlil Gibran, ensaísta, filósofo, escritor e pintor libanês (1883-1931)