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Nick Griffin – o autóctone caucasiano

25 Out

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22% dos britânicos “considera seriamente” votar no British National Party, neo-nazi.

Embora captando apenas um instantâneo no tempo, a sondagem revela que este partido “de brancos” teve o timing (o descrédito das despesas dos políticos ingleses) e o empurrão de que necessitava através de um programa de grande audiência que, à semelhança do que aconteceu com Le Pen em 1984, lhe deu a exposição e a aura “outsider” que lhe permitirá passar de partido marginal a “um partido como os outros”.

Griffin usa a lógica do discurso pelo qual respondem os neo-liberais, mas sem o poderem assumir, e leva-o às últimas consequências. Ao tornar explícita a lógica da raça, um suplemento obsceno do neo-liberalismo, transfere o antagonismo social e de classe para a esfera da “identidade”, explora o ressentimento existente em consequência da perda sucessiva de humanidade e capacidade de inclusão do capitalismo.

Muito do apelo deste tipo de discurso percecpcionado como corajoso, assenta no reconhecimento da legitimidade do descontentamento que, ao exprimr-se de forma aparentemente exterior ao sistema, confronta o discurso oficial que trata o racismo como uma espécie de falha moral ou educacional, evitando cuidadosamente as causas reais que, uma vez expostas, levariam ao seu colapso.

A extrema-direita não faz mais do que ocupar o espaço deixado vago pelo mal-estar que a deterioração do tecido social, a precaridade do trabalho e a sua cada vez mais baixa remuneração e estabilidade, a destruição do tecido produtivo e do “welfare”, vão criando. Tudo isto tem sido suportado por um discreto consenso liberal em torno da sua inevitabilidade e é despejado incessantemente pelos media como condição de competitividade da velha Europa em confronto com a Ásia, aparecendo às pessoas como o mundo possível, um mundo sem referenciais e sem solução.

É perigoso esquecer que é ao nível da narrativa, não do argumento, que a extrema-direita pode ser travada – é aí que o social e a política são interiorizados e se ganha ou perde a batalha no coração e nas mentes das pessoas. É fornecendo uma nova narrativa e, eventualmente, um novo agente político que enquadre este ressentimento, que se pode quebrar o actual estado de desorientação, impotência e desinteresse. A direita não pode fazê-lo e, pelos vistos, a esquerda não sabe.

Coisas destas, costumam chegar a Portugal como ondas de choque e apenas esperam uma oportunidade para fazerem a sua aparição. O terreno social e político está a ser fertilizado todos os dias.