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Empresas inteligentes

29 Out

Levis

A BBDO desenvolveu um projecto de marketing social para a Levi’s que, em associação com a ONG Goodwill, promove a reutilização e doação da roupa usada. As etiquetas da marca passam, a partir de Janeiro, a incluir nas instruções de lavagem uma recomendação no sentido de doar as roupas para a caridade quando a pessoa já não as quer.

Só nos EUA, os aterros recebem anualmente 23,8 toneladas de roupa usada. A campanha pode ser visitada no site da Levi’s.

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Consistência

4 Set

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This American Life

27 Ago

Uma perturbadora curta-metragem, do novelista e artista gráfico Chris Ware, focada no facto de que estar atrás da câmara (ou do ecran) pode não apenas alterar o que vemos, mas também o que somos e como nos comportamos. A fazer recordar “O Deus das Moscas”, esta história de uma turma obcecada pela gravação de tudo o que toda a gente faz, acaba da única forma que podia.

Pinóquio arranja amiguinha

17 Ago

Silly Season é um raio de um nome bem escolhido para a época… Depois de ver esta entrevista, passei a achar que Medina Carreira é um optimista.

Carolina Patrocínio, começa por explicar a sua estratégia para se “afastar das figuras públicas de Portugal” sobre um pano de fundo de nús envergonhados a fazer lembrar a decoração da cabine de um camião de longo curso. A mandatária do PS para os jovens diz ter “uma relação com o anjinho da guarda” de que não se pode duvidar e descobriu que “não gostava nada de ser homem. Os homens não têm nada coisas giras pra fazer”. Que falta de imaginação, rapariga. Vamos ao futebol, andamos aos murros uns aos outros e coleccionamos posters teus.

Sonha ser pedida em casamento de forma espectacular. “Jantamos, depois no fim, ele tem de se levantar, fazer o discurso e pedir a minha mão ao meu pai” e prossegue dizendo dela própria ser “de bom nascimento”. Como que para o provar, vai dizendo que “Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços. (…) e uvas sem graínhas… é uma trabalheira…” e que detesta “esperar pelas bagagens no aeroporto”. Tudo coisas de gente bem nascida. Já Luís XIV, aquele que não se conseguia vestir sózinho, tinha a frase “Eu quase que esperei”, referindo-se às carruagens que chegavam sempre a horas.

A menina, que não tem nada na cabeça, acaba em forma e embalada num sorriso, a dizer com toda a naturalidade “Sou muito competitiva. Odeio perder. Prefiro fazer batota do que perder”. Plenamente explicada a sintonia com Sócrates, resta-nos a dificuldade em vislumbrar onde se poderia arranjar melhor mandatária para os jovens.

Quando, a terminar a entrevista, lhe é perguntado: “O que é que te falta?”, responde solícita, “Viver!”.
Podes crer, filha.

Rui Rio, o seu a seu dono

27 Jun

Foi pela mão de Rui Rio, que se soube que dos 11 mil milhões de euros do QREN destinados à Região Norte do país, mais de 1,5 mil milhões já foram canalizados pelo Governo para financiar projectos de Lisboa e Vale do Tejo. Estes dados obtidos por via judicial, junto do Tribunal das Comunidades da União Europeia, revelam que ao abrigo da norma de excepção inscrita pelo Governo no QREN- o “spill over effect”, foram aplicados , 300 milhões de euros para a modernização administrativa da PSP de Lisboa, do Instituto de Reabilitação Urbana e da PJ; 31 milhões para o Instituto de Registos e Notariado; 23 milhões no Gabinete de Estatística do Ministério da Educação; 20 milhões para a qualificação profissional da Administração Central, além de uma verba não quantificada para o Website da PSP de Lisboa. Tudo projectos com enorme impacto difusor a nível nacional como é fácil constatar.

Desenvolvimento da notícia no Público

Oponho-me firmemente ao presidente da CMP e à sua lógica política, mas registo o mérito de Rui Rio na denúncia desta situação. Não me move qualquer critério regionalista. Oponho-me à cultura de subsídio da sociedade portuguesa e nada sei da bondade do critério de distribuição regional de verbas. Esta é uma questão puramente ética e fornece uma clara imagem de gente que faz batota quando não está ninguém a olhar. Se a si lhe acontecer sentar-se ao lado de um membro do governo, aproveite para solicitar uma aula de contabilidade criativa e descentralização. Estará de certo entregue a um especialista, mas guarde bem a carteira.

As moscas mudam mas a televisão é a mesma

19 Jun

Última Hora
Vinte moscas mortas e centenas de moscas feridas é o resultado da colisão de um director de informação com aquilo que se lhe assemelhava a uma notícia de relevo. De país para país, de canal para canal, as moscas mudam mas a televisão é a mesma. Do conteúdo da intervenção de Obama, se alguém souber que me conte. Desconfio que vai correr bastante mais tinta sobre este “fait-diver” que a que será possível reunir com o que se escreveu sobre direitos humanos durante várias semanas. Restarão, em Guantánamo, moscas suficientemente interessantes para produzir uma notícia?

Fale com os seus filhos…

15 Jun

antes que a publicidade o faça!

Como nos é dada a Informação

14 Jun

“1. O mundo é tudo o que é caso. 1.1. O mundo é a totalidade dos factos, não das coisas. 1.2. O mundo é determinado pelos factos e assim por serem todos os factos.”

Wittgenstein in Tractatus

Regras não Ditas

14 Jun

Um rapaz tem um primeiro encontro com uma rapariga e ela chega vinte minutos atrasada. Vamos pôr de lado a possibilidade (muito provável) de que ele já tenha uma regra relacionada com a pontualidade – por exemplo que as pessoas devem chegar a horas, ou qualquer outro postulado. Em vez disso vamos partir do princípio que a novidade deste experiência, a par com a crença de que as raparigas são sobre-humanas, seres angélicos, fá-lo acreditar que há uma lei universal em tudo o que ela faça, por isso nada dirá acerca desses vinte minutos por palavras ou atitudes. Ao não comentar o atraso ele deixou que se estabelecesse a primeira regra do seu relacionamento: ela agora tem o “direito” de chegar tarde e ele não tem o “direito” de se queixar. De facto, se noutra ocasião ele a criticar por o fazer esperar, ela justificar-se-à perguntando “porque é que agora de repente te queixas disso?”.

Paul Watzlawick in A Realidade é Real?

Défice de Atenção

11 Jun

Os canais de televisão não dissipam apenas a atenção, reduzem-na ao nada, esmagam-na. Um telejornal utiliza um cenário de cores fortes que induz movimento e dramatismo. Abre com uma notícia de choque ou um “fait diver”. Em segundo plano apresenta a encenação do movimento de uma redacção que continua a funcionar. Passam pessoas de um lado para o outro, enquanto, em rodapé, correm os resumos das notícias e o anúncio de algo que vem já à seguir. O “pivot” tende a ser agressivo, e é muitas vezes um “especialista no ser e no nada”, uma pessoa que fala de qualquer coisa sem saber nada em concreto. Frequentemente, o cabeçalho de uma notícia não se confirma no seu desenvolvimento. Neste fogo de artifício tudo dispersa a atenção, e tudo está lá para isso. Para nada significar.

É enorme a capacidade de captação e monitorização da atenção para modos de olhar e estar através dos quais a televisão molda um modo de vida realmente desapegado e desvinculado de tudo. É patente a standardização de comportamentos (num concurso é preciso entrar aos gritos e aos saltos), o convite ao mimetismo das escolhas, dos temas e interesses, a separação cada vez mais ténue entre novelas e publicidade. Tudo isto reduz a autonomia pessoal, uniformiza, estreita o mundo interior, dá um precário sentido de pertença, denega a curiosidade, cria uma indolência que vicia num “não querer saber” assente na superfície das coisas, ensina a não cuidar realmente de nada e espalha a incúria, incha o consumidor na mesma medida em que diminui a pessoa.

Basicamente parece que apenas só falamos muito de comunicação porque já não comunicamos nada, porque desistimos da necessidade de sentido.
Se há um estado de emergência para a reforma da indústria de comunicação, então é mesmo o de a por ao serviço da reconstituição de uma faculdade, a da atenção verdadeira, a da preocupação com o mundo e o nosso lugar nele com os outros