Moer apenas

4 Nov

Na verdade, sou apenas um moínho e não um gigante. Aqui estou eu, onde devo estar, afastado da aldeia, sózinho numa duna, e não me aproximo de ninguém, não ajudo ninguém, nem deixo que me ajudem. Quando preciso de ocupar as minhas mós, moo qualquer coisa, seja com que vento for. Todos os trinta e dois ventos são meus amigos. De toda a amplidão da atmosfera não exijo absolutamente mais nada que o necessário à rotação das minhas velas. Peço unicamente que lhes permitam esse movimento. Os mosquitos podem voar por entre elas, mas que os descarados não venham a cada momento perseguir-se por baixo delas, menos ainda deverá tentar travá-las uma mão que não seja mais forte do que o vento que me impulsiona. Se o volteio das minhas velas lançar alguém pelos ares, será por sua própria culpa, e eu também não poderei amortecer a violência da sua queda.

Gotthold Ephraim Lessing (1729 -1781)

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