O último a sair que feche a porta

12 Out

A expressão “vitória de Pirro” teve origem na frase do general grego que, terminada a batalha de Ásculo contra Roma, e ao confrontar-se com o número de baixas que a vitória lhe havia custado, terá dito “Mais uma vitória como esta, e estou perdido”. Traduz-se numa vitória obtida a alto preço que, potencialmente, acarreta prejuízos irreparáveis.

Evolução da importância demográfica do Porto e cidades limítrofes (1981-2008)

grafico

Num estudo sobre competitividade das 18 capitais de distrito do continente, que reunia 21 indicadores, distribuídos em quatro sub-índices: demográfico, laboral, empresarial e conforto, Évora encontrava-se em 1º lugar, Lisboa em 2º e o Porto em 18º, ou seja, em último. Em 2011, o Porto não terá mais de 200 mil habitantes, um número próximo do que tinha há um século atrás e, de acordo com as curvas reveladas nos gráficos, quase todas as cidades limítrofes o terão ultrapassado por essa altura.

Com 67% dos abandonos da cidade a ter como destino os concelhos de Gaia, Maia e Gondomar, continuando 51% dessas pessoas a trabalhar ou estudar no Porto, os números parecem demonstrar que há boas razões para viver nas cidades periféricas. Adicionalmente o Porto tem vindo a perder grande parte do protagonismo político e económico que tinha amealhado ao longo da sua história, em favor de Lisboa, vendo escaparem-se-lhe bancos, empresas e cérebros.

Rui Rio não é o único responsável por esta situação, mas o resultado dos seus imperdoáveis 8 anos à frente da autarquia é espelhado por estes números. Gostava de, democraticamente, poder felicitá-lo pela maioria absoluta, mas ontem vi um homem eufórico nos festejos da sua gestão de uma pesada, inoperante e caríssima câmara de uma pequena cidade que já foi grande. A recondução muito mediatizada do presidente da Câmara do Porto foi, por muito que lhe custe, comparada com a do seu colega Filipe Menezes, uma vitória de Pirro.

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4 Respostas to “O último a sair que feche a porta”

  1. pedro fortuna 13/10/2009 às 16:31 #

    Discordo, meu Caro Amigo

    lendo esta tua observação o que consigo ver é que a área metropolitana do porto ganha cerca de 50000 novas almas (47041)…o que para qualquer pastor é boa noticia.

    não podemos ver assim o que por aqui se passa com receio de cair no lugar comum de menosprezar a vontade dos eleitores e passar um atestado de menoridade e insanidade aos que, livremente, fizeram a sua escolha

    A cidade é hoje diferente…. espalhou-se pela sua área metropolitana, espreguiçou-se por onde a deixaram, fazendo assim, de forma quasi natural, aquilo que a soberba humana não deixou.

    não faz sentido olha-la pelos limites, não naturais, impostos….
    …há um rio que une as margens e não divide! há um porto de mar e um aeroporto
    que ali estão pela importância que este burgo tinha

    o somatório destas valias faz uma cidade já com alguma expressão

    a cidade sempre foi pequena, mesmo naquilo em que se achou grande

    o vinho que lhe deu grandeza sempre foi inglês….

    não gosto do rui rio. é pacóvio e provinciano. de horizontes curtos….
    …muito menos daquela zaragateira de ideias peregrinas como a do festival de tripas

    sejamos honestos: o TEP fugiu para gaia porque foi corrido pela manuela de melo e seus muchachos, que fizeram (e bem, na altura) um abaixo assinado contra a política de subsidios que então existia…afinal apenas trocaram as entidades que os recebiam…..

    com rio a cidade, apesar de tudo, volta a querer renascer….

    …veja-se a animação no centro….surgida de um grupo de gente inconformada, com vontade de fazer…acontecer

    falando desta maneira tua, até parece que antes (e este antes é anterior aos mandatos do ps) era diferente….se a cidade alguma vez foi grande fez-se pelas suas gentes…todos, TODOS, os espaços de cultura desta cidade ERAM PRIVADOS!!!!

    temos que nos ver! por a conversa em dia e conversar…que muita falta me fazes
    obrigado por este espaço teu/nosso

    um grande X

    • Um zero à esquerda 13/10/2009 às 19:24 #

      E eu a pensar que não frequentavas a casa…

      Em face das nossa insanáveis diferenças de opinião, desafio-te para um duelo a ter lugar com carácter de urgência, em local sem testemunhas. Escolhes tu os talheres, perdão, as armas.

      Tens razão. Os espaços de cultura eram, sempre foram, privados. Quanto aos subsídios também te secundo energicamente. Mas tenho de te contrariar aquele parágrafo que diz “com rio, a cidade volta a querer…”. Não é com, é apesar dele.
      Estava aqui a ocorrer-me que não seria mau se estas opiniões fossem transportadas para fora do mundo virtual e se organizassem umas conversas públicas sobre a cidade. Alinhas?

      Obrigado e um grande abraço.

      PS! (sem segundas intenções) Então andas a escutar isto e deixas passar em claro uma oportunidade para me esbofeteares como foi a das touradas?

      • pedro fortuna 14/10/2009 às 13:00 #

        Claro que aceito

        Aliás tenho pensado nessa reflexão, aberta e participativa, que encontre formas de melhor compreender a cidade e o que nela se (não)passa.

        não entendo o que é que fazem aquelas centenas de figurões importantérrimos por certo nas listas de apoio….alguém conhece as suas opiniões? apoiam porque concordam com os programas? ou apoiam porque sim? por carreirismo? por verem uma oportunidade de se aproximarem da gamela? (não me julgues mal…não fui eu quem utilizou a expressão…mas sabendo que significa “balde do porco”, recipiente para a lavagem eu não podia estar mais de acordo com a imagem)

        esta gente deve ter algo a dizer…são arquitectos, engenheiros, professores, políticos….

        concordo que é apesar do rio…mas sempre foi, não achas?

        é sempre apesar d’Eles…..ninguém pode impedir a felicidade

        e, seguramente, que não será um rui qualquer, ou um joão e muito menos a labrega que vão interferir na minha

        escolho os talheres: de peixe enquanto o há

        X apertado

  2. pedro fortuna 14/10/2009 às 14:53 #

    E, desculpa o regresso não anunciado, jamais te esbofetearia por divergencias de pontos de vista

    Eu gosto de touradas! E sempre estive aberto a uma discussão séria sobre o tema

    Sem preconceitos ou argumentos “moderninhos” de civilidade

    o confronto ruralidade/urbanidade ainda não acabou

    e haverá, por certo que haverá, muita boa gentinha a lamentar a bosta de boi nas nossas ruas, lembrando as imaculadas e aceticas ruas dos nórdicos e enchendo alegremente os pulmões com o CO2 fantástico das bombas motorizadas

    Ah meu bom tio Mário… ainda faremos o caminho de são tiago para por a conversa em dia….

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