Valsa de Bashir

5 Out

A consciência e a coragem de um realizador israelita, Ari Folman, que com 6 ilustradores e um orçamento diminuto, desenterra a história das profundezas da sua/nossa memória trágica e criminosamente selectiva e faz um filme de uma terrível beleza sobre a natureza da memória e da negação que permite que estas coisas aconteçam e se repitam.

Pela acção de apagamento poupamo-nos a um olhar para além do horizonte da sobrevivência e repousamos no simulacro em que aparentemente já expulsamos a violência, o mal, a negatividade e até a morte do nosso sistema de valores, como se cada um de nós não soubesse, no plano público e privado, que é precisamente a história que mais magoa.

Quase tão significativo como a exposição deste modus vivendi perverso, é o facto deste ser um filme israelita que denuncia um massacre onde, embora com a cumplicidade de Israel no terreno, os autores são cristãos libaneses. Não há lados bons neste conflito sem raízes históricas anteriores ao séc. XX, um século recheado de perseguições e violência mútuas. A existir um caminho para as conter seria este, mas quem são os que querem percorrê-lo?

Excerto da sequência do pomar, com “Arioso” de Bach em fundo. Inesquecível.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: