Em que ficamos?

3 Out

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Ana Cristina Ribeiro, a única autarca do Bloco de Esquerda, afirma no Público não saber “se o Bloco de Esquerda será contra as corridas de touros mas pelo menos não é apoiante das corridas de touros. Penso que isto em nada impede de que o bloco de esquerda tenha um concelho que é Salvaterra de Magos e que a sua presidente seja uma aficcionada.”

A tourada horroriza-me, mas não é apenas isso que dá sentido a este post.

O Bloco de Esquerda acaba de eleger 16 deputados com base num programa e num conjunto de compromissos com o eleitorado. A pág. 75 do programa, diz o seguinte:

PROMOÇÃO DO RESPEITO PELOS ANIMAIS
“A alteração dos padrões de comportamento em relação a outras espécies animais é dos factores mais importantes de modernização necessária. A responsabilização dos seres humanos pelas suas relações com outras espécies animais não pode ser nem antropocêntrica (considerando apenas interesses de forma parcial e especista), nem fetichista pelo sofrimento dos animais (chegando a ignorar a exploração dos próprios humanos).
(…)
Da parte do governo só existe indiferença pelo tema. Tem protelado a prometida lei de protecção dos animais que puna actos de violência injustificada. (…) De resto tem havido total inoperância e cumplicidade na manutenção das terríveis condições em que animais são usados e abusados todos os dias.
(…)
ANIMAIS NO ENTRETENIMENTO
“Apoiar a requalificação de praças de touros fixas com pouca ou nenhuma utilização em espaços culturais. Fim de rodeos, de touradas de morte ou à vara.”

Ao contrário do que deduz Ana Cristina Ribeiro, há pelo menos uma coisa que devia impedir o Bloco de Esquerda de a apoiar: o compromisso que assumiu com os eleitores que nele votaram. Este tema já chateia, mas como passei a campanha a ouvir falar nas centenas de milhares de pessoas que fizeram download do programa do bloco, é chegado o tempo de perceber se alguém o leu, ou se alguma coisa que lá está é para levar a sério.
Mau começo de um partido para o qual não devia ser assim tão importante manter um autarca em detrimento dos princípios que anuncia e que, pelos vistos, não aprendeu nada com o percurso de Sá Fernandes em Lisboa.
Para manter as tradições, já tinhamos os partidos que habitualmente nos governam e se esquecem rapidamente do que prometem.

PS! Posteriormente à publicação deste post, tomei conhecimento de que Ana Cristina Ribeiro foi constituída arguida num processo em que é acusada de peculato, desaparecimento de contas e livros de actas, saque de cheques, corrupção em concursos e conspiração para afastamento de adversários políticos. Com esta curiosa concepção ética, fico a tentar descobrir as diferenças desta situação relativamente às de Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Fátima Felgueiras, os chamados “candidatos-bandido”, mas compreendi melhor o gosto da candidata do bloco por touradas.

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3 Respostas to “Em que ficamos?”

  1. Joao Cardoso 03/10/2009 às 14:00 #

    Olhe o que eu tenho a dizer sobre isto e que uma porcaria de um topico farrapuscado do lixo…
    Se quer fazer imitações de tópicos de outros sites voce que va…O que é que as suas informações serão sempre desctualizadas

    Joao Cradoso

    • jose de marcarelli 03/10/2009 às 14:04 #

      Eu concordo plenamente com o senhor que postou o comentt anterior penso que e o senhor cardoso.
      Se voce quer brincar com a politica do bloco de esquerda brinque com a sua cara. E arranje vida…se não crticar quem sabe.

      Jose de Marcarelli

  2. IP 09/10/2009 às 19:30 #

    Eu tenho andado mesmo arredada deste espaço e, como agora vejo, ando a perder muito. Acho que tens toda a razão nas observações que fazes. É a velha história da mulher de César. Não basta ser séria, tem de parecê-lo. E partidos como o Bloco que gostam tanto de se arvorar em defensores de grandes causas deveriam ser, no mínimo, diferentes dos outros e sobretudo coerentes. Não se pode ter preto no branco no programa eleitoral que se pretende promover o fim das touradas de morte e à vara – posição que só tenho a felicitar, porque são, obviamente, espectáculos bárbaros – e depois apoiar uma candidata autarquica que as defende. Mas, claro, isto é o meu mau feitio a falar… ;)

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