Lost in Translation

24 Set

Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Sócrates, deu instruções ao embaixador português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, para votar no candidato egípcio a secretário-geral da UNESCO, Farouk Hosny, que apoiado pela Liga Árabe, pela Organização da Conferência Islâmica e pela Organização da Unidade Africana, conseguiu cativar o voto da Itália de Berlusconi e o estranho apoio do Brasil, cujo Presidente Lula da Silva, outro pragmático homem de negócios, se recusou a patrocinar a candidatura do seu compatriota Márcio Brabosa, actual director adjunto da UNESCO.

Colocando a consciência acima da norma, Manuel Maria Carrilho desobedeceu, mas não levou a atitude, que aqui elogio, até à sua última e única consequência, a demissão. Hosny, pintor e ministro da Cultura do Egipto desde 1987, pratica abertamente a censura de filmes, livros e concertos no seu país e afirmou recentemente que queimaria pessoalmente todos os livros israelitas que encontrasse na Biblioteca de Alexandria, cidade onde nasceu. Debaixo da sua tutela, nenhum trabalho intelectual pôde ser tornado público sem licença das autoridades censoras religiosas do Instituto Teológico islâmico al-Azhar, elaborou-se a lei que prevê a pena de prisão em “caso de utilização abusiva da Internet” e três dos seus colaboradores directos, bem como o seu ex-chefe de gabinete, foram recentemente implicados no tráfico de tesouros arqueológicos egípcios.


Penso que Portugal, que terá votado como moeda de troca do apoio Egipcío à nossa entrada como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, anda de facto na companhia de gente pouco recomendável. No passado 1 de Setembro, Luís Amado assistiu em Tripoli às comemorações do 40º aniversário da chegada ao poder de Muammar Khadafi, e levou consigo a Força Aérea Portuguesa para participar no desfile comemorativo. Mais uma deplorável demonstração da falta de princípios da nossa política externa.

Farouk Hosny perdeu felizmente a eleição e Irina Gueorguieva Bokova, embaixadora da Bulgária em França foi eleita.

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2 Respostas to “Lost in Translation”

  1. joana 25/09/2009 às 1:14 #

    Já reparaste concerteza que nesta campanha eleitoral praticamente não se fala de política externa. Eu era pequenitates, mas ainda me lembro de nos grandes debates de antigamente se falar bastante nisso. Isto é, claro, só uma nota… É que não sei se os portugueses andam mto esclarecidos sobre o que os nossos políticos pretendem fazer lá por fora. Eu certamente não estou.

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