O mercado dos livros escolares explicado a Totós como eu (II)

20 Ago

Um cartaz de campanha da CDU reivindica manuais escolares gratuítos para todos. Surpreendido, (o que tem de bom esta campanha, é que me surpreende todos os dias), dei-me ao trabalho de ler a argumentação do PCP que, valha a verdade, não esconde em defesa desta tese quanto custa a proposta a preços de 2006. Seria um esforço orçamental superior a 65 milhões de euros o que, passo a citar, “representa apenas 1% do orçamento do Ministério da Educação”.

Como não há manuais gratuítos e a questão é, tendo alguém de os pagar, quem deve fazê-lo, não só não tomo como bom o argumento de que já que se “gastam 7.000 milhões de euros com o ensino, dever-se-iam tornar os livros gratuítos”, como se me afigura imoral e demagógico propô-lo.

Porque não avaliamos soluções diferentes:

Empréstimo dos manuais escolares pela escola, mediante uma espécie de depósito de caução que também financiaria a sua aquisição? No final de cada ano, a escola avaliaria o seu estado e devolveria a caução tornando o uso dos livros gratuíto para quem os estimasse, e imputando os custos caso houvesse dano nos livros, envolvendo e responsabilizando os alunos.

– Realizar, no início do ano escolar e atempadamente, nas escolas, feiras do livro nas quais pais e alunos possam vender livros que já não servem e comprar os que necessitam a alunos que já não precisam deles? Livros em pior estado seriam vendidos a preços mais baixos, valorizando o factor conservação. Menos regulada, esta prática pode não ajustar de modo perfeito a oferta e a procura, mas tem um impacto positivo.

Fazer a recolha dos livros usados, que o ano passado, creio que por iniciativa da CGD e levada a cabo com o nome “Livrão” foi, até por razões ecológicas, uma boa ideia. Porque não ser o ministério e/ou as escolas a fazê-lo, seleccionando os livros e integrando-os na biblioteca da escola para reutilização de quem careça deles.

Propostas simples que, como quaisquer outras que visem prolongar a vida de um manual escolar, necessitam de contornar o obstáculo de os livros serem concebidos e desenhados com zonas destinadas a preenchimento, substituindo-as pela transcrição dos exercícios para os cadernos. Alunos que desejassem livros “brand new” ou tivessem o hábito de estudo de os sublinhar ou colocar apontamentos, assumiriam esse tipo de utilização, adquirindo-os.

Optar por uma lógica diferente, não será um questão de bom-senso? Ou será ingenuidade pensar que alguém, incluindo editoras, pais, alunos e professores deste pobre país rico, deseja isto?

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Uma resposta to “O mercado dos livros escolares explicado a Totós como eu (II)”

  1. IP 25/08/2009 às 11:55 #

    Seriam todas propostas muito interessantes e exequíveis, não fosse o facto de os manuais escolares serem revistos todos os quatro anos. Eu que tenho dois filhos com quatro anos de diferença nunca pude usar os manuais de um para o outro. E porquê? Porque tive o azar de o mais velho calhar sempre no último ano em que os manuais estavam em vigor portanto, quando o mais novo chegava ao mesmo ano lectivo, já tinham sido alterados… Isso faz com que, por exemplo, este ano tenha de gastar a módica quantia de quase 500 euros só em manuais escolares. Parece-te justo? Achas que uma família de classe média pode suportar gastos desta ordem? Não tem outra alternativa, como é evidente, mas em algum lado vai ter que cortar.

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