Tempos houve em que se matavam os mensageiros quando as notícias eram más

13 Ago


Este é o 1º de 5 vídeos da mesma entrevista.

Afasto-me substancialmente da visão política de Medina Carreira e não compreendo que não se tenha tornado ainda claro que a natureza e modo de operação do investimento estrangeiro, seja em Portugal ou na Irlanda, não o recomendam como solução dos nossos problemas, comportando até uma componente de risco proporcional à dimensão dos projectos como se viu com o impacto da falência da Qimonda na balança comercial. A crise internacional esconde a profunda deteoração de uma economia nacional que cresceu nesta década a um ritmo nulo, tornando impossível a prazo a satisfação das responsabilidades sociais do estado no domínio das pensões, da saúde, etc.

Medina Carreira é, com a sua visão das coisas, um homem corajoso que denuncia uma forma de fazer política, um espectro partidário e uma corrupção que conhece. Fala da absoluta necessidade de criarmos riqueza como única forma de sair da situação em que nos encontramos, em oposição a investimentos loucos suportados nas teorias keynesianas que justificam o TGV, o Aeroporto de Lisboa e as auto-estradas que estão para vir, porque como afirmou, numa anterior entrevista a Mário Crespo, o dinheiro posto a circular vai comprar bacalhau da noruega, fruta de espanha ou israel, automóveis alemães, telefones finlandeses, gerando mais endividamento na medida em que nada produzirmos para consumir e exportar. Parece evidente, mas há quem ache que não é assim e o país parece de facto aturdido numa crise com contornos que lembram os últimos anos da monarquia e os primeiros da república.

Deixamos aos nossos filhos um país empobrecido, inconsciente e irresponsável, com um serviço da dívida que em apenas 13 anos, de 1995 a 2008, passou de 10 para 100% do PIB, no que representa um encargo anual só para satisfação de juros de 5.000 milhões de euros, equivalente, num termo simples de comparação, a toda a receita de turismo do país.

Poucos saberiam dizer tão desassombradamente as razões que movem as personagens de opereta que nos governam e as que nos oferece o outro partido que pode formar governo, como o fez Medina Carreira. Seria bom que o ouvíssemos e que esta entrevista tivesse tido lugar em canal aberto, nomeadamente no canal público.

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