Tão felizes que nós somos!

29 Jun

Estudo do ISCTE divulgado pelo Público.

1,8 milhões de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza e isso traduz-se no facto de 32% não conseguirem manter a casa aquecida no inverno, 57% terem um rendimento familiar abaixo dos 900 euros mensais (o custo declarado da intervenção no BPN, 2.500 milhões de euros, equivale ao rendimento anual de 231.481 famílias destas), 62% não conseguirem gozar uma semana de férias, 8% acumularem mais de um emprego e 56% afirmarem não ter tempo para estar ou brincar com os filhos. É sem surpresa que declaram ter falta de tempo para si, para os outros e para actividades sociais.
Mesmo assim, numa escala de 1 a 10, 6,6 é o grau de satisfação dos portugueses com a vida que levam e maior é ainda a felicidade que sentem: 7,3 na mesma escala.

A reportagem que acompanha o estudo, incide numa mulher de 33 anos. Deita-se diariamente “à meia-noite, uma da manhã” e levanta-se às “seis, seis e meia”, recebendo pelo seu trabalho 462 euros. Garante 200 euros adicionais ajudando a mãe no café que esta explora. Sempre quis trabalhar com crianças e trabalha, de facto, num infantário. Passa no café da mãe antes de ir para o emprego, trata da casa e das galinhas depois de sair dele. Regressa ao café para ajudar até às 22:30h. Tem uma filha de 15 anos para a qual não pode ter tempo, que ainda não sabe se transita do 7ª ano, quando em circunstâncias normais estaria a passar para o 11º.
Vai, para o mês que vem, a Fátima com a mãe, talvez porque espere um milagre ou porque, no fundo, sente que tem de agradecer a sorte que tem. No desmedido santuário não faltará consolo e exemplos de que podia ser pior.

Conformados porque podia ser pior, alheados porque já basta a vida que têm, espertos porque toda a gente se safa, e 73% felizes, os portugueses deviam exportar baixas expectativas, inconsciência e desfasamento com a realidade.

Fátima, Fado, Futebol e que se F**a. Já são 4 os nossos éfes.

PS! O estudo não revela que parte desta realidade é artificialmente contida pelo rendimento mínimo e afins. É também omisso em relação ao contraste entre a forma como os portugueses se vêem e o recente alerta do Infarmed sobre consumo de antidepressivos em Portugal, que nos coloca em 2º lugar na Europa a 27, com um crescimento de 45% nos últimos 5 anos.

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