Tecnologia grátis, mesmo Grátis?

15 Jun

No grau em que as coisas estão, a internet é um dos raros espaços democráticos e relativamente livres da comunicação. Contém informação, diversidade de opinião e uma quantidade de lixo inesgotáveis. Está lá “tudo”, com tudo o que isso implica.
O Gmail convida-nos a nada deitar fora, oferecendo cada vez mais espaço de armazenamento (actualmente 2,7 Gb) algo que requer um número exponencial de servidores com espaço em disco e custa muito dinheiro, sem nos pedir nada em troca.
Para distribuir o mal pelas aldeias, a Apple (a minha aldeia) com o conceito Mobile Me e o próprio desenho do Airbook, convida o utilizador a usar os servidores da empresa em detrimento do disco rígido, pondo os ficheiros pessoais à nossa disposição mesmo quando o nosso computador não o está.
O Google dará em breve, na Web 3, uma súmula das respostas a uma busca, e esta súmula surgirá à cabeça dos cinco milhões de respostas que nunca temos tempo ou paciência para consultar, o que parece uma boa idéia com um “pequeno inconveniente”: para os que apenas conhecem as delícias da net como forma de pesquisa e olham a wikipédia como a enciclopédia da humanidade, esta súmula será não uma resposta mas a resposta.
Por analogia com o valor da expressão “deu na televisão”, que toma como relevante e confiável aquilo que é veiculado pelos media, “estar na net” passou a ser critério de verdade e, mesmo sendo as suas fontes dificilmente verificáveis, a net tenderá a tornar-se o fornecedor de informação dos restantes media.
Escolhemos “servir a este Deus”, o deus tecnológico gratuíto, e dedicamos-lhe tanto mais aquiescência irracional, quanto menos tivermos crescido numa sociedade em que fomos obrigados a desconfiar da informação ou, pelo menos, a pensá-la.
O que precisamos de saber sobre tecnologia já não é como usá-la – qualquer criança o sabe sem ir à escola, mas de olhar para a maneira como a tecnologia nos usa. Isto é, precisamos mais de ensinar crianças e adultos a fazer perguntas sobre ela do que a receber as respostas que ela lhes dá.

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4 Respostas to “Tecnologia grátis, mesmo Grátis?”

  1. Helder Robalo 15/06/2009 às 15:03 #

    Nem mais. Creio que muito disso já acontece hoje em dia, sobretudo com a Wikipédia, é verdade, que passou a ser uma enciclopédia de consulta a todos os níveis e assumida com uma fiabilidade que, na verdade, não existe.
    O problema é que com esta postura passiva perante o que nos é transmitido pela web, estaremos, muito provavelmente, a promover uma geração acrítica, que tudo aceita como verdadeiro porque “está no Google”. E isso terá consequências no futuro. Porque, na realidade, não está tudo no Google nem na web.

  2. O PUTO 15/06/2009 às 16:44 #

    Meus caros bloggers, mais parece que nos estamos a encaminhar para uma adaptação foleira de “1984”,(Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (título original Nineteen Eighty-Four) é o título de um romance escrito por Eric Arthur Blair sob o pseudônimo de George Orwell e publicado em 8 de Junho de 1949 que retrata o cotidiano numa sociedade totalitária. O título vem da inversão dos dois últimos dígitos do ano em que o livro foi escrito, 1948. in wikipedia) em que não existem seres pensantes ou opinantes e que tudo se resume ao que meia duzia de iluminados decidem. Concordo que, com a “elevada” estrutura de pensamento que grassa neste planeta, possamos estar cair no erro de interpretar mal a imensa informação que nos é fornecida. Mas identificar e culpar a Rede, como a malfeitora e criadora de uma sociedade acritica, amorfa e carneirista, será o mesmo que culpar uma qualquer outra biblioteca. Foi sobre estes arrogantes principios que se queimou a Biblioteca de Alexandria. A wikipedia é um organismo em constante evolução. Podemos sempre discordar e acrescentar algo. Temos uma revolução “semelhante” á invenção da escrita impressa. Podemos e temos ao nosso alcance algo que só a alguns pertencia. Evoluimos mais rapidamente. Opinamos das mais diversas formas, baseados, não só no que vivemos mas, no que experienciamos na Rede. A Rede é verdadeiramente democrática, livre. Não nos compete a nós criar codigos que cerceiem a liberdade que ela nos dá. É da nossa competencia usa-la da forma que queremos, sempre que quisermos, e alertar para os perigos do carneirismo que, com filtragem da informação, certos conglomerados nos querem fazer crer.

    Mas sou obrigado a reflectir seriamente, se não estaremos daqui a poucos anos, clandestinamente a zurzir planos maquiavélicos, com o objectivo de deitar por terra esta instituição…

  3. Helder Robalo 15/06/2009 às 16:55 #

    Não me terei explicado bem. Eu culpo as pessoas, não uma qualquer “rede”.

  4. O PUTO 15/06/2009 às 19:50 #

    Compreendi os seus argumentos, daí ter terminado com a teoria da conspiração, a zurzir planos maquiavelicos…

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