Bizarro

13 Jun

Todos os dias ao abrir a caixa de correio electrónico o que fazemos é, antes do mais, uma espécie de processo de actualização das nossas relações sociais. No escasso tempo que destinamos à troca real de algo, esta tornou-se uma forma de rever amigos e conhecidos e saber deles. Mas um pouco como um pedra que lançada na superfície da água salta um certo número de vezes mas não pode manter-se a flutuar. E este universo de onde se entra e sai, onde se está quando se quer e se existe porque se está lá, vai sendo experimentado como mais real do que a vida e contribuindo para criar de facto uma nova realidade, um matrix do nosso tempo, uma realidade desdobrada em cenários múltiplos.

Todos procuramos uma narrativa e a net fornece inúmeras como forma de encaixar o presente. Mas, se abdicarmos de um certo grau de autoconsciência crítica, numa relação mais directa e autêntica connosco, e nos ficarmos por este distanciamento cínico, representamos os personagens adequados a cada cenário em que nos encontramos (no mail, no facebook, no twitter, etc) mas a consistência das nossas vidas vai sendo reduzida, até um dia o nosso endereço mais permanente ser o correio electrónico e o computador a nossa casa.

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