30 dias

4 Jun

Por que razão se cria e mantém um blog? Que acrescenta de específico e relevante?
Que roubamos à realidade para o alimentar?

O blog exprime a necessidade de comunicar como prova de existência. E comunicar neste formato obriga a sintetizar a informação que nos esmaga e de cujo crescimento a blogosfera é, por sua vez, dínamo. É a definição de “sound bite” – o mínimo de ruído para um máximo de sentido mas que, sem lograr lá chegar, se encontra já pressionado por um formato ainda mais breve, o Twitter, onde o “existo” esgota o discurso e se recontam os seguidores. Falamos de algo que interesse ou produzimos mais lixo, mais depressa?

Neste blog olhado como pequenino jornal, escolhi, mesmo nunca tendo censurado nenhum comentário, fazer a sua “mediação” em lugar de permitir a publicação livre e instantânea, num duvidoso ainda que legítimo exercício de critério editorial em detrimento da liberdade de expressão. Fui justamente chamado à atenção para esse facto. Escrevi por ideias em que acredito, mas fiz também uso da prerrogativa quase intocável de falar de visados ausentes, assim como da de comentar os comentários.

Um blog é uma manifestação solitária e é, de certa forma, uma desistência ou um reconhecimento da impossibilidade de fazer a mesma coisa por outros meios. É um exercício de generosidade, mas também de influência e vaidade, aferidas pelo número de visitas, links e citações de que é alvo. Um local onde se escreve porque um público indefinido e invísivel está lá, à espera, e isso cria um ritmo, um “tem de ser” em conflito com a substância e o tempo.

Não sei se gosto deste blog e do que fazemos um ao outro, mas chegou a altura de pensar nisso.

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Uma resposta to “30 dias”

  1. R.P. 04/06/2009 às 23:00 #

    Existe muito pouca coisa que não se rouba à realidade. E muitas coisas que fazemos para os outros. Demais, até diria.
    Um blog pode ser um day by day das nossas descobertas em forma de música, de video, de pensamentos ou memórias que queremos partilhar.
    Pode ser solitário ou não. Não me incomoda uma nem outra.
    O meu , quero-o como uma cábula para a memória que vai ficando dia a dia mais perra.

    É evidente que com tanta informação, em tantos meios, é impossível levarmos a sério tudo o que vemos e lemos e comentarmos tudo.
    O valor das coisas é variável.
    Lixo? Obra de arte?
    Um louco? um génio?

    Como diz o principezinho, o importante é criar laços. Nesse sentido acho que o teu, nem que tenha sido só por 30 dias valeu a pena.
    Visitarmos um blog é como visitarmos afectos sem incomodarmos ninguém e isso é muito bonito.
    Também é uma forma de falarmos com os amigos sem os chatearmos ou sem os interromper nas suas tarefas.
    Claro para tudo isto, tanto para quem publica como para quem lê, deverá ser descontraído e livre.
    Sem obrigações diárias de postar ou comentar senão é como comer a horas certas ou então mais uma regra criada para saberem o que podem esperar de nós.
    Eu acho que vale a pena…se não se vir isto como uma tarefa.

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