O M(in)istério da Educação

28 Maio

A DREN do Ministério da Educação, lá vai oscilando entre a inclinação para a poesia de algibeira e o despotismo burocrático, sem lograr sair do ridículo.
Uma professora de ciências do ensino básico que obteve uma decisão positiva sobre a passagem à reforma, foi impedida de dar aulas a partir de 31 de Maio, embora tenha manifestado a vontade de o fazer até finalizar o ano lectivo.
A “revolução” de que tem falado Vital Moreira, outro grande poeta vivo, não passa de mais papéis, incompetência e falta de respeito. As suas manifestações no quotidiano da DREN são tão más que, soubesse Margarida Moreira escrever, ninguém me tirava da cabeça que trabalha para a oposição.
Se ainda há alguém com vontade de defender Maria de Lurdes Rodrigues, o seu ministério e a sua direcção regional do norte, faça favor.

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4 Respostas to “O M(in)istério da Educação”

  1. Professora 28/05/2009 às 23:01 #

    Pois é!

    É por estas e por outras que acho que bastava uma “opinião pública” mais atenta e realmente mais interessada, para que todas estas medidas de faz-de-conta já tivessem sido questionadas.

    Dizer que as resistências dos professores são corporativas tem sido mais fácil e tem dado muito jeito.

  2. O Moscardo 31/05/2009 às 15:30 #

    (Post adiado em http://www.osocratico.blogspot.com)
    O problema dos professores é de “Atitude”. O problema da Ministra é de Comunicação.
    Como é possível que a aplicação um procedimento administrativo – por inadequado que seja, sobretudo em termos dos interesses dos alunos, possa ser apontado à Ministra? Antes de escrever este post alguém foi verificar quais os procedimentos de “passagem à reforma” na administração pública?
    Talvez nesse caso se tivesse legitimidade para criticar a cega aplicação de normas que prejudicará, objectivamente, os alunos desta professora, pela DREN (ou por qualquer outra entidade pública com competências similares), mas se compreenderia que a Ministra não tem propriamente relação com o assunto – nem o Ministério da Educação é diferentes dos demais neste caso.
    O problema do debate sobre educação em Portugal, no momento, é mesmo este: os professores criticam por tudo e por nada; fazem manifestações sem serem capazes de lhe indicar UM propósito que não seja… o de protestar contra… “a política”… Ora: “ política” de educação deve partir de uma ideia de sociedade, corporizar-se em algo concreto… Logo: critico os seus fundamentos (e contraponho outros, outro entendimento da sociedade) e/ou as medidas concretas de uma política. Criticar “a política” de um modo abstracto, sem dizer a que me refiro… é vago, inútil, demagógico…
    – todos os cidadãos, e sobretudo a classe que tem como missão formar as próximas gerações de cidadãos, devem… fazer crítica construtiva: não basta dizer mal, é preciso dizer O QUE se critica e o QUE SE PROPÕE, sob pena de ser “dizer mal por dizer mal”.
    – em vésperas de eleições, o protesto deve ser, deve ser, feito com propostas, deve ser assumido como o apresentar de caminhos alternativos e… reverter-se em VOTOS!
    – O problema dos professores é precisamente que cairam nesse dizer mal por dizer mal: fizeram uma das maiores manifestações de que há memória em Portugal, mantiveram o momentum e… NADA, nem uma proposta! Não aproveitaram esse notável movimento de empenho e de exercício de cidadania para CONTRAPOREM uma proposta de modelo de avaliação. Apenas se reuniram para… pedir a suspensão da aplicação! Isso não é contrapor políticas, isso é “bota abaixo”… Para manter tudo como está, sem métodos de avaliação! Mais: ou me manifesto contra o sistema de avaliação proposto, ou contra “a política”….
    – para cúmulo os professores, numa ânsia crítica sem limites, aproveitam tudo para criticar a Ministra, mesmo usando exemplos que nada têm de “político”… Como este caso que, mostrando bem a estupidez de certas regras da função pública e da aplicação cega de normas, não tem claramente qualquer relação com esta Minista…
    O problema da Ministra, por seu lado, é não conseguir comunicar, e mostrar à maioria dos professores – a larga maioria da classe, tal como da maioria das classes profissionais em Portugal, é constituída por pessoas sensatas… – que para dialogar, é preciso apresentar contra-propostas, ser construtivo na crítica, apontar especificamente os erros das políticas e das medidas concretas… Em suma: o que falta à Ministra é a capacidade de diálogo com aqueles que tutela, que têm a responsabilidade de fazer a socialização em nome do Estado e que, por isso, são agentes vitais para implementar as políticas… LOGO: a Ministra não tem condições para seguir com a implementação das suas políticas, por não ter condições nem ter mostrado capacidade de abrir os canais de diálogo. Idealmente, ocorreria o mesmo que no Ministério da Saúde: a substituição de protagonista foi o suficiente para que a mesma política, com alterações menores, muito ligeiras, fosse implementada, de modo tranquilo, sem a animosidade que existia com Correia de Campos. Sucede que estamos agora em período eleitoral. Socrates não pode substituir a Ministra agora… Teremos de esperar pelas eleições…
    O que se espera é que os professores aproveitem este momento para reflectirem sobre a sua Atitude. E que a alterem. E que procurem AGORA dialogar com os partidos – que são os agentes envolvidos nas eleições de modo directo, como mediadores entre a sociedade e o poder – para que cada um dos CONCORRENTES ÀS ELEIÇÕES DEFINA e EXPONHA quais os seus princípios para a EDUCAÇÃO e quais as MEDIDAS CONCRETAS que propõe…

    • Um zero à esquerda 31/05/2009 às 16:04 #

      Caro Moscardo, este procedimento administrativo tem realmente uma relação com a ministra, com a DREN e finalmente com a filosofia do governo.
      E têm-no porque há políticas em que o meio pela qual se exercem se transforma na própria política, esgotando-a. Os governos burocráticos dos países de leste e o nosso salazarismo são um bom exemplo de como os próprios objectivos, bons ou maus se revertem e esgotam no próprio processo.
      Têm-no ainda porque o mesmo governo contorna sistematicamente os chamados procedimentos administrativos para favorecimento de negócios, a exemplo do procedimento adoptado, só para citar um caso próximo do mesmo ministério, na adjudicação dos magalhães.
      A questão da avaliação do desempenho é, em muitos aspectos, subjectiva. Sei que esta afirmação parece primária e recorrente. Mas não é.
      Efectivamente a avaliação quantitativa do desempenho de professores e médicos é uma das falácias mais simples de contar sobre a ideia de exigência. O número de doentes que um médico atende, de cirurgias que efectua, ou o número de alunos que passam de ano e o relatório sobre as actividades não me esclarece em nada sobre o desempenho e a qualidade do trabalho.
      Se dei tanto protagonismo à questão dos professores, é porque na condição de pai e de cidadão isso me preocupa. A questão da avaliação está especialmente bem tratada pela Maria Filomena Mónica. Mas a questão essencial, que desiderato para o ensino e a educação, nunca foi efectivamente discutida neste blog, nem nos forums exteriores a ele em que, por especificidade do seu tema e autoria, deveriam ter sido.
      Para mim a questão realmente importante é mesmo a de que propósito para o ensino. E essa, com tanta engenharia, tanta reforma apressada, fica para as calendas.
      Não é apenas por oportunismo político que toda a oposição condena esta política. É porque a avaliação de uma actividade como ensinar, é complexa e eventualmente impossível sem uma super-estrutura de avaliadores com o conhecimento e em número que tornam a coisa insusceptível de ser praticada.
      Não sou adepto do facilitismo. Creio que o que se passa na avaliação dos alunos é por demais evidente do ponto a que as coisas chegaram- à bandalheira total, ao faz-de-conta institucionalizado. Creio bem que precisamos de começar por aí.
      Gostava de te convidar a ver a conferência que está neste blog para aprofundarmos o tema.
      Para mim, esta é uma questão mais “de para onde vamos do que como estamos a ir” e sou o primeiro a lamentar que os próprios professores não debatam isto.
      Quanto às referências à ministra e sobretudo à Dren, acho que não podemos efectivamente dar-nos ao luxo de colocar em lugares de chefia da administração pública, pessoas tão pouco qualificadas como a Directora deste serviço.
      Para terminar, uma democracia não se exprime unicamente no acto eleitoral. Exprime nas formas de acção cívica contempladas na constituição portuguesa e na de todos os países civilizados e pode exprimir-se até à chamada acção de desobediência civil, tão bem exemplificada pelos fundadores da nação americana. Mas isso já é outro tema.

  3. O Moscardo 31/05/2009 às 15:44 #

    afinal o post foi colocado…http://osocratico.blogspot.com/2009/05/educacao.html

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