É giro, fica bem e é uma vergonha este episódio da saga da ditadura do consumo.

25 Maio

piratas

O Partido Pirata sueco tem quase garantido assento no Parlamento Europeu, ao posicionar-se actualmente como a terceira força política da Suécia. Esta formação defende o fim das restrições no uso da Internet, o que inclui a livre partilha de ficheiros, mesmo que estes estejam sujeitos ao pagamento de direitos de autor” in PÚBLICO.

O assunto é  sério e merece reflexão. O programa é omisso quanto à forma de acautelar os interesses dos artistas, músicos, escritores, fotógrafos, designers, arquitectos e autores em geral e não explica como se vai financiar a investigação retirando aos laboratórios o exercício das patentes. Também não esclarece a actual forma de financiamento do site piratebay.

Na declaração de princípios dos piratas (uma contradição nos termos), afirma-se que “todo o uso não comercial (para utilização própria) deve ser gratuíto e encorajado uma vez que o valor da cultura e do conhecimento aumentam com a sua partilha”. Se tinha descoberto isso mais cedo, fazia uma tiragem de 100 000 exemplares de um meu trabalho e ia oferecê-lo para a esquina.

Supõe-se que, uma vez colocados na instituição Parlamento Europeu, mudem o nome, passando a chamar-se Partido dos Corsários e a arregimentar criativos raptados para trabalhar nas galeras oficialmente reconhecidas. Ansiamos pela elaboração de um programa mais ambicioso que aplique o “princípio” aos restantes bens de consumo.

Era bom que, de uma vez por todas, as pessoas começassem a ser informadas sobre os custos de produção, as margens da distribuição e sobre direitos de autor. Que entendessem qual o investimento envolvido por exemplo na produção de um filme, na remuneração da sua equipa e na sua promoção. Que se questionassem sobre quem fará o investimento na produção e divulgação se fecharem as editoras e sobre o tipo de cultura que teríamos sem elas.

Roubar os produtos das prateleiras torna-se, à luz da mesma ética e argumentação, aceitável, mas não tenho ilusões de que a única coisa que vai continuar a ser roubada sem problemas de consciência, são os bens culturais. Quando um laboratório chegar à cura de uma dessas doenças que desejamos ver erradicadas do planeta, damos uma palmada nas costas do investigador e dizemos “Obrigadinho, pá!”. Alguém ainda tinha dúvidas de que fazer política, nos tempos que correm, é dizer às pessoas o que elas querem ouvir?

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