Histórias do Bom Deus

19 Maio

Para ter pelo menos uma alegria depois de tanta desgraça, ordenara às mãos que Lhe mostrassem o homem antes de o entregarem à vida. Repetidamente perguntava, como as crianças quando jogam às escondidas: ‘Já posso?’ Mas em resposta apenas ouvia o moldar das mãos e ficava à espera: Parecia-lhe uma eternidade. E, de repente, viu algo escuro cair através do espaço como se partisse de junto de Si. Cheio de um mau pressentimento, chamou as mãos. Elas vieram, todas sujas de barro, quentes e trémulas. ‘Onde está o homem?’, gritou-lhes. Então a direita culpou a esquerda: ‘Tu é que o deixaste cair!’ ‘Ora’, disse a esquerda irritada, ‘quiseste ser tu sózinha a fazer tudo, não me deixaste intervir’. ‘Tu devias era tê-lo segurado!’ E a direita levantou-se. Mas depois caiu em si, e ambas as mãos disseram, superando-se: ‘O homem estava tão impaciente! Queria era viver. Não conseguimos fazer nada dele e, naturalmente, estamos inocentes.’

de Rainer Maria Rilke

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