De que falamos quando falamos de educação?

12 Maio

Quando um povo atinge um certo grau civilizacional, procura conservar e transmitir as suas características, o seu saber e até os seus objectivos como comunidade. E fá-lo através da educação.
É este sentido da educação, como forma de preservar e propagar uma existência social e espiritual através dos meios pelos quais a criamos historicamente, ou seja, por meio da vontade consciente e da razão, que de alguma forma se está a perder.
Esquecemos, algures, que não se trata apenas de melhorar a existência humana, mas da nossa preservação como sociedade. Esquecemos que o espírito humano tende à descoberta de si próprio e que, nesse processo, encontra o sentido da vida, razão pela qual a educação tem funcionado como a força criadora que nos impele para a ideia clássica de que o sentido da vida reside na busca de sentido e esta força assume-se sempre como a pergunta que nos faz avançar como seres e como espécie.
É por isso que o esquecimento desta ideia matricial por razões até de sobrevivência, nos desestrutura como sociedade, e nos coloca perante o paradoxo da Alice quando coloca a questão de que caminho seguir e obtém a resposta óbvia – “qualquer um, desde que andes o suficiente”. É por isso que talvez seja necessário pedir que falemos de educação.
Porque se tem existido uma “inclinação”, por assim dizer, da sociedade para a educação, e nada parece revelar mais a nossa evolução do que esta inclinação para o esforço constante de o fazer em conformidade com o sentir de cada sociedade e de cada nova geração ao longo de milhares de anos, não é menos verdade que a educação retribui sempre, participando da vida e do crescimento da sociedade, no seu destino, no seu desenvolvimento espiritual, na sua felicidade.
A educação depende da consciência dos valores que orientam a vida humana e a sua história está essencialmente condicionada pela transformação dos valores válidos para cada tempo. Da sua dissolução, da sua debilidade advém a impossibilidade de qualquer acção educativa e creio que é aí que estamos chegados e que isso nos remete para dois temas indissociáveis: a implosão da família nas condições modernas da sua existência e a necessidade de uma utopia social como condição de agregação de uma sociedade que perdeu a noção de si e do local em que se encontra.
Se separamos a educação de tudo o resto, perdemos a noção da educação como objectivo último da comunidade e caminhamos para o suicídio como civilização, porque é precisamente o objectivo último da educação que a define.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: